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jun 01

TERESA DE LISIEUX – DOUTORA DA IGREJA

TERESA DE LISIEUX - 2019

HISTÓRIA DE UMA ALMA – TERESA DE LISIEUX

"Deus me deu a graça de abrir minha inteligência muito cedo e de gravar tão profundamente em minha memória as lembranças de minha infância que me parece que as coisas que vou contar aconteceram ontem. Sem dúvida, Jesus queria, em seu amor, fazer com que eu conhecesse a Mãe incomparável que Ele me tinha dado, mas que sua mão Divina tinha pressa em coroar no Céu!....

Toda a minha vida Deus agradou-se em cercar-me de amor, minhas primeiras lembranças estão impressas de sorrisos e das carícias mais ter­nas!.... porém se ele tinha colocado perto de mim muito amor, o tinha posto também no meu pequeno coração, criando-o amante e sensível, também amava muito Papai e Mamãe e lhes testemunhava minha ternura de mil maneiras, pois eu era muito expansiva. Somente os meios que eu empregava eram às vezes estranhos, como prova esta passagem de uma car­ta de Mamãe14: — “O bebê é um duende sem igual, ela vem me acariciar desejando-me a morte: ‘Oh! como eu queria que morresses, minha pobre Mãezinha!..’ ralham com ela, ela diz: — ‘É, porém, para que vás para o Céu, pois dizes que é preciso morrer para ir lá’. Ela deseja também a morte de seu pai quando está em seus excessos de amor15!” /

Aos 25 de junho de 1874 quando eu tinha apenas 18 meses, eis o que mamãe dizia de mim16: “Vosso pai acaba de instalar um balanço, Celina é de uma alegria sem igual, mas é preciso ver a pequena balançar-se; é de rir, ela se segura como uma moça, não há perigo que solte a corda, depois quando não está bastante forte, ela grita. Amarram-na pela frente com outra corda e apesar disso não fico tranquila quando a vejo empoleirada lá em cima.

“Aconteceu-me uma aventura esquisita ultimamente com a pequena. Tenho o costume de ir à missa das 5 h ½ , nos primeiros dias não ousava deixá-la, mas vendo que ela nunca despertava, acabei por me decidir deixá-la. Eu a deito na minha cama e aproximo o berço tão perto que é impossível que ela caia, um dia esqueci-me de colocar o berço. Chego e a pequena não estava mais na minha cama; no mesmo momento ouço um grito, olho e a vejo sentada numa cadeira que estava na frente da cabeceira de minha cama, sua cabecinha estava deitada sobre o travesseiro e aí ela dormia um sono ruim porque se sentia incômoda. Não pude entender como ela caiu sentada nessa cadeira, pois estava deitada. Agradeci a Deus por não lhe ter acontecido nada, é verdadeiramente providencial, ela devia ter rolado no chão, seu Anjo velou por ela e as almas do purgatório às quais faço todos os dias uma oração pela pequena a protegeram, eis o que acho disso.... vede como quiserdes!”

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  1. Carta de 5 de dezembro de 1875 da Sra. Martin a sua filha Paulina, então interna na Visitação do Mans, onde a única irmã da Sra. Martin, Maria Luísa, é religiosa, irmã Maria Dositéia (morreu no dia 24 de fevereiro de 1877). Teresa tem três anos menos um mês. Ao redigir, Teresa dispõe desses documentos que ela cita.

  2. Teresa põe, aqui, uma chamada de nota (1), remetendo à nova folha (cortada) que, num segundo tempo, ela inseriu no seu manuscrito e que se tornou, assim, fólio 5r-v. Depois, ela juntará o texto primitivo, embaixo do fólio 4v, às palavras “Eu amava muito”.

  3. Carta da Sra. Martin às suas filhas Maria e Paulina, internas na Visitação do Mans.

 

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