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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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mai 10

UMA LEITURA ORANTE – Fr. LUDOVICO GARMUS

LUDOVICO GARMUS

5º DOMINGO DA PÁSCOA – EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA –

*Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

ORAÇÃO: “Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna”.

1. PRIMEIRA LEITURA: At 6,1-7

Escolheram sete homens repletos do Espírito Santo.

Lucas fala de uma Igreja que cresce, movida pelo Espírito Santo. Não são apenas judeus da Palestina que se convertem, mas também judeus de língua grega, além de pagãos convertidos ao judaísmo (prosélitos). O crescimento provocou uma crise interna de organização. As viúvas de origem grega eram mal atendidas na comunidade. No entanto, fez surgir também um novo ministério, o dos diáconos, encarregados de cuidar dos pobres de origem grega. Para resolver a questão, foram escolhidos sete homens de origem grega. Homens de boa fama, sabedoria e fé, cheios do Espírito Santo. Foram apresentados aos apóstolos, que lhes impuseram as mãos e oraram sobre eles. Surgiu, assim, um novo ministério (serviço) para melhor atender as viúvas de origem grega. Para justificar a criação dos diáconos, Pedro disse: “Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”.

Na prática os cristãos de língua grega passam a formar uma comunidade própria, sob a liderança dos diáconos. Alguns diáconos, como Estêvão e Filipe, além de cuidar das viúvas, começaram a pregar com entusiasmo o evangelho (At 6,8–7,60; 8,4-40). Com isso cresceu muito o número de cristãos em Jerusalém e na Samaria. – É como o Papa Francisco disse: Prefiro uma Igreja que caminha e leva tombo a uma Igreja parada... que não cresce!

SALMO RESPONSORIAL: Sl 32

Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça

da mesma forma que em vós nós esperamos.

2. SEGUNDA LEITURA: 1Pd 2,4-9

Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino.

O autor desta carta, atribuída ao apóstolo Pedro, escreve para as comunidades cristãs do nordeste da Ásia Menor. Os cristãos eram vítimas de hostilidades, calúnias e desprezo por parte dos pagãos. O autor quer reavivar a fé no Senhor Jesus e elevar sua autoestima como cristãos. Exorta-os a se aproximarem de Jesus, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus como a pedra principal. Sobre ela o Pai quis fundar a sua Igreja (cf. Mt 16,13-20). Os cristãos, perseguidos e desprezados, assemelham-se a Cristo, a pedra viva rejeitada pelos homens. Formam um edifício espiritual e oferecem um sacrifício espiritual, que envolve toda a vida de sofrimentos e, junto com Cristo se torna agradável a Deus. Quem acolhe a Palavra, proclama a Cristo que nos chama à sua luz maravilhosa.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Ninguém chega ao Pai senão por mim.

3. EVANGELHO: Jo 14,1-12

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. No domingo passado Jesus se apresentava como a porta que dá acesso ao Pai e como o bom pastor, capaz de dar a própria vida para que todos tenham vida em abundância. Hoje o texto nos dá a razão porque Jesus é a única porta de acesso ao Pai: Porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O início do texto interpreta o evento pascal, mas em termos de espaço e tempo: Jesus morre, mas não permanece no túmulo e, sim, “volta à casa do Pai”. Ao dizer: “Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”, provoca a pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais. Como poderemos conhecer o caminho?” – Tomé é o discípulo disposto a seguir Jesus no “caminho” para Jerusalém, onde Ele haveria de morrer, e diz a seus companheiros: “Vamos nós também para morrermos com ele” (cf. Jo11,7-16). – Na resposta que Jesus dá não fala mais em “casa do Pai” como algo fora da pessoa, mas de algo existencial, muito próximo e imediato: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Na pessoa de Jesus a distância física e temporal com o Pai é eliminada e substituída pela presença existencial de Deus em sua pessoa e em seus discípulos. Basta conhecer a Jesus para conhecer o Pai. Então Filipe – o único discípulo que Jesus chama diretamente para segui-lo (cf. Jo 1,43-44) – fica impaciente e diz: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta”! E Jesus responde: “Há tanto tempo estou convosco, e não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim”? Na resposta, Jesus insiste três vezes que é preciso ter fé, acreditar. Quem crê em Jesus – Caminho, Verdade e Vida – reconhece o rosto, as palavras e as obras do Pai, que, em Jesus são a fonte da Vida. Moisés queria ver o rosto de Deus: “Deixa-me ver a tua glória” (Ex 32,23), e Deus lhe responde que isso era impossível, pois morreria; só podia “ver Deus pelas costas”, isto é, pelos sinais de alguém que “passou”. Pela fé em Jesus, agora é possível “ver o rosto de Deus Pai”. Não é necessário esperar o fim do mundo para “ver” seu rosto. A presença de Jesus ressuscitado se manifesta agora nas palavras e obras dos fiéis que, animados pelo Espírito Santo, vivem o amor (cf. Jo 14,15-26).

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* Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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